Noções de Vigilância Sanitária pra quem é cri-cri

Esse blog vai tratar de noções de vigilância sanitária que podem ser aplicadas à vida de qualquer pessoa, de forma a alertar sobre o risco inerente ao dia-a-dia. Vai falar de normas e leis, zoonoses (o que é isso?!), compartilhar experiências, situações absurdas, e tirar dúvidas que interessam a qualquer um que preze por sua saúde e de sua família.




sexta-feira, 8 de julho de 2011

VETERINÁRIO NO NÚCLEO DE SAÚDE DA FAMÍLIA?

Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
Todo mundo sabe da existência do NASF (Núcleo de apoio à Saúde da Família), que atua no PSF (Programa de Saúde da Família); que visam atuar em postos de saúde de municípios, aumentando a abrangência das ações de atenção básica do SUS. Mas qual a importância desses postos de saúde? E qual a importância de haver médico veterinário nessa equipe? Saiba agora!



 
Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
 A Política Nacional de Atenção Básica foi aprovada pela Portaria N° 648/GM de 28 de março de 2006, estabelecendo diretrizes e normas para o funcionamento do Programa de Saúde da Família (PSF) e Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS). 

Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
Esse programa visa dar atenção básica de saúde às comunidades e DESCENTRALIZAR o serviço apenas do hospital. Você consegue perceber a importância disso? 




Trocando em miúdos: se cada vez que alguém quebrar um dente, torcer o pé, tiver dor de barriga ou quiser atendimento preventivo correr para um hospital (que às vezes nem tem em sua própria cidade), a conseqüência disso será hospitais super lotados por motivos menos importantes. Se a super lotação já é um problema sério de hospitais públicos, imagine nessa situação. 



Assim, os postos de saúde existem para dar essa atenção primária, além de medidas preventivas, de forma a reduzir a demanda dos hospitais e encaminhar apenas os casos que não possam ser resolvidos no posto. 

Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
O NASF funciona com uma equipe básica, multiprofissional, com no mínimo, cinco profissionais a ser definido pelos gestores municipais de acordo com a necessidade do município. As profissões que compõem o NASF vão das mais básicas e essenciais às mais especializadas: médico, enfermeiro, dentista, assistente social, fisioterapeuta, nutricionista, terapeuta ocupacional, psicólogo, educador físico, farmacêutico, fonoaudiólogo, ginecologista, acupunturista, homeopata, pediatra e psiquiatra. E agora, o Ministério da Saúde ampliará este elenco de profissões, com a possibilidade de incluir nessa equipe profissionais como o médico veterinário e o sanitarista. Nesse âmbito, além de poder exercer clínica de animais de pequeno e grande porte, poderá principalmente atuar nas áreas de Vigilância sanitária de produtos de origem animal (queijo, leite, carne, ovos, etc), fiscalização de abatedouros e no controle de zoonoses (doenças transmitidas por animais a homens).




Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
E a importância disso? Quem por exemplo sabe de onde veio a carne que comeu ou o leite que bebeu recentemente? Será que foi aprovado pelo controle de qualidade e que é um produto que foi fiscalizado por um profissional competente? Você sabe a que tipos de processos esse produto foi submetido? Por isso, a inclusão do veterinário no NASF é uma boa notícia tanto para os profissionais da área como para a população, que vai poder usufruir desses serviços básicos e essenciais com maior qualidade. Por isso, fique atento e exija seus direitos.


To de ooolho!

 

 
 
 



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Boas práticas da alimentação - fora de casa

Há quem diga que comida de fora é sempre mais gostosa. Tem pessoas que não resistem a um churrasquinho na calçada. O sushi e aqueles mousses de supermercado, então... E quem nunca comeu pastel com caldo de cana na rodoviária ou tomou água de coco no meio da rua? Quem nunca comprou cocada, brigadeiro e cachorro quente de ambulantes? É “bom, bonito e barato”! Mas muitas vezes, o barato pode sair caro. Confira algumas dicas pra sua saúde não correr risco!



1. Preste bem atenção à data de validade de tudo o que for comprar

Pode até parecer feio chegar em um estabelecimento e agir como se não confiasse nele. Mas embora o proprietário e os funcionários sejam responsáveis por manter os produtos em bom estado, sabemos que isso nem sempre é possível. Por isso, sempre desconfie, mesmo de supermercados de grande porte. Olhe a data de validade, veja a cor, o cheiro e preste muita atenção ao sabor. Alguns alimentos estragados têm aquele cheiro que lembra amônia. E reclame! Não fique constrangido se encontrar materiais estranhos. E não caia na “é culpa do fabricante, já veio assim de fábrica”...pois o produto que está à venda naquele estabelecimento é de responsabilidade tanto do fabricante como do distribuidor (você sabia?)




Boas práticas na manipulação de alimentos. Devemos imitar o que é bom.
Fonte: http://sandranutricionista.blogspot.com/


2. Observe se o vendedor lida com dinheiro e com o alimento, e se há local para higienizar as mãos.

Se você for comprar algo da rua, provavelmente o vendedor que lidará com o dinheiro será o mesmo que irá servir o alimento. Observe se ele coloca luvas para manipular a comida, pois sabemos que o dinheiro, por ser de grande circulação carrega muitos microorganismos que podem – e irão – contaminar seu alimento. Opte por você mesmo pegar o produto; em alguns casos, opte por nem comprá-lo, pois se ele não tem higiene ao servir, como será que deve ter preparado? Naquelas carrocinhas que vendem cachorro-quente, por exemplo, evite comprar se perceber que não há lugar para higienizar as mãos.


Se não for da rua, preste bem atenção enquanto o produto estiver sendo manipulado. O funcionário está adequadamente trajado (avental, luvas, touca...)? As condições de limpeza da cozinha são boas? O estabelecimento em si é limpo? Pense comigo, se a área de circulação de clientes (que é o local que deve estar mais limpo para causar boa impressão) for suja, provavelmente a cozinha (que geralmente é restrita aos funcionários) deve ser pior ainda.



3. Evite comprar alimentos que estejam expostos

Sim, até mesmo o sushi e os pãezinhos da padaria. Sem proteção nenhuma, não dá. Você não tem como saber há quanto tempo ele está exposto, se durante esse tempo algum inseto pousou ou se alguém falou ou tossiu perto dele.



4. Nunca, eu disse NUNCA pense que ‘porque nunca deu problema, nada deve estar errado’.

Isso é péssimo! Tem gente que corre risco consciente. Sabe que o lugar é sujo e que o produto não é confiável, mas como nunca teve problema, continua comprando. Muito cuidado! Talvez você tenha adoecido por causa dele e não tenha associado, ou até seja portador de determinado microorganismo patogênico e não tenha desenvolvido os sintomas. Isso pode ter conseqüências graves pra sua saúde. É sempre melhor optar pelo que é bom. Consumidor consciente é consumidor exigente.


Tô de ooolho!


Quer saber mais? Leia nota no jornal O Estado Comida de Rua: mitos e verdades, escrita pelo prof. Cláudio Lima, Inspetor Saúde. Recomendadíssimo!


quarta-feira, 27 de abril de 2011

FALTAM FISCAIS!

Fiscalização Federal: déficit de 10 mil servidores (Fonte: Folha dirigida on line)

E não para por aí não. A defasagem é grande. Entenda o que você tem a ver com isso.

EM BREVE!

Tô de ooolho!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

OPORTUNIDADE DE ESTÁGIO EM SEGURANÇA ALIMENTAR


Estagiário(a) para Area de Segurança Alimentar (Controle de Qualidade).

PERFIL:
Cursando Eng. de alimentos, Agronomia, Veterinaria, Economia domestica ou Tecnologia de alimentos
A partir do 4o. semestre
24 h/semanais - segunda a sábado - 8 as 12h
Principais atividades: Acompanhamento dos processo de transporte e manipulação de alimentos nas lojas; orientação a funcionarios e chefias sobre boas práticas; etc.

Interessados deverão enviar curriculo para ana.saskia@grupopaodeacucar.com.br ate 07/04, com o titulo "Estagiario CQ" no campo assunto.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Jaleco: acessório de moda ou vestimenta de trabalho?

Ele pode ser gola de padre, gola em V, com elástico no punho, com botão de pressão ou de encaixar, rosa, azul, branco tradicional, com bordado nos bolsos e com vários tipos de emblemas.




A questão é: o jaleco é apenas uma vestimenta de trabalho ou se tornou acessório de moda entre estudantes e profissionais que o utilizam?

http://www.camara-arq.sp.gov.br/

Não raro vemos pessoas de jaleco desfilando por aí nos corredores das universidades, nas ruas, entrando no banheiro, no carro e até nos refeitórios. Deu grilo! Nem gosto de lembrar de uma cena que vi em uma Universidade muito famosa no interior de São Paulo: médicos residentes e internos que saiam do atendimento e iam direto pra lanchonete de jaleco, quando não de pijama cirúrgico.





http://www.radioculturafoz.com.br/
Realiza: o cara acaba de atender um paciente com diarréia aquosa causada por uma bela duma Salmonella, encosta com o jaleco no paciente e em varios objetos contaminados e depois vai comer um delicioso pão com ovo na lanchonete em frente com aquele jaleco?

Senhores, tenham dó! Por mais que você diga "mas eu não atendi ninguém tããão contaminado assim...", muitos estudos indicam que microorganismos são transportados para pessoas que estão fora do ambiente hospitalar, ambulatorial, odontológico ou laboratorial por meio de roupas, batas e jalecos, aumentando essa contaminação em áreas de contato, como mangas e bolsos. Nem preciso dizer que hospital é lugar de doença, bactéria, esporo, vírus, protozoário...por favor!



Se você trabalha em laboratório, talvez o seu jaleco seja muito mais pra proteção dos reagentes, da cultura que vc trabalhe ou dos animais que vc lida do que pra você mesmo...ainda assim, você pode estar trazendo uma contaminação pra dentro do laboratório...já pensou, perder um trabalho que demorou uma semana pra ficar pronto? No laboratório ou no hospital, o ideal é que o jaleco seja de uso exclusivo daquele local...


Ta certo que é lindo vestir jaleco...eu particularmente acho um charme! Mas não vamos fazer dele mero acessório de moda, nem envergonhar a classe por preguiça de tirá-lo...

Isso é tão sério que existe um projeto de lei querendo PROIBIR o uso de qualquer EPI (Equipamento de Proteção Individual, que inclui jalecos e outras vestimentas especiais) fora do ambiente onde o trabalhador da área da saúde atue (quer saber mais? Projeto de Lei 6626/09). Essa proposta tem o objetivo de combater a infecção hospitalar e a contaminação biológica, e é de autoria do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE). O infrator da norma poderá ser punido com advertência e multa, sendo o empregador responsabilizado também.


Além disso, a OMS (Organização Mundial da Saúde) traçou regras bastante claras sobre o controle da infecção hospitalar.


Na Inglaterra, a Associação Médica Britânica recomenda restringir o uso de adornos, gravatas, relógios, com ênfase especial na circulação com jalecos. Depois da lavagem das mãos, amplamente aceita por toda a população durante a pandemia da gripe A (H1N1), as atenções podem se voltar para a indumentária dos trabalhadores da saúde como possíveis carreadores de microrganismos. Deve haver inclusive a preocupação de limpar regularmente os crachás de identificação. Porquê não imitar o que é bom?


No Brasil, no âmbito do Ministério da Saúde, temos a Norma Regulamentadora NR-32, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que trata do uso de EPI’s, nos quais o jaleco se inclui. Recomenda que os trabalhadores não deixem “o local de trabalho com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e vestimentas utilizadas em suas atividades laborais”.


Por isso, Senhoras e Senhores, penduremos os jalecos!



Tô de ooolho!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Deu grilo? DENUNCIE! Vigilância Sanitária de cara nova!

Devido ao concurso realizado em 2009, a prefeitura de Fortaleza contratou 50 profissionais das mais variadas áreas (médicos, veterinários, dentistas, farmacêuticos, químicos, nutricionistas, engenheiros de alimentos e enfermeiros) para atuar na Vigilância Sanitária.

Com o aumento no quantitativo, aliado à grande capacidade técnica e ao conhecimento adquirido pelos novos funcionários, a Vigilância Sanitária de Fortaleza promete dar uma reviravolta no quadro atual.

Nada melhor do que gente capacitada e empenhada a fazer um serviço digno ao cidadão.

Nós também podemos ajudar! Qualquer denúncia relativa a comércio irregular de alimentos, medicamentos e serviços inerentes à Vigilância Sanitária, não tenha medo! DENUNCIE no 150. A ligação é gratuita e você estará defendendo a sua saúde e de sua família.

Tô de ooolho!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Escreveu, não leu...




Fonte: Globo.com

Quem assiste ao programa global A Grande Família sabe que o Lineu (Marco Nanini), que é veterinário, exerce a Vigilância Sanitária. Entretanto, a Vigilância Sanitária propõe muito mais do que passa a imagem do personagem estereotipado ranzinza e cri-cri.


l      Lei nº 8.080/90
            Art. 6º

 § 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde(...)


Pois bem. A Vigilância Sanitária é multidisciplinar, ou seja, pode e deve ser exercida por uma equipe de profissionais diversos, nos seus diversos setores, como odontólogos, médicos, médicos veterinários, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, engenheiros de alimento, entre outros.

O Vigilante Sanitário sempre vai estar ligado à idéia do RISCO. É o básico que qualquer pessoa que deseja trabalhar na área precisa entender.  O risco está ligado justamente à prevenção de agravos à saúde. O risco constitui-se algo inerente à própria sociedade, variando de acordo com seus hábitos de vida, seus costumes e com suas próprias concepções. É portanto, um conceito que não está definido, ele varia de acordo com o contexto.


Um exemplo simples disso: o consumo do sushi, antigamente aqui em Fortaleza ninguém nem ouvia falar em sushi. De 5 anos pra cá (ou mais?) o sushi ganhou uma popularidade incrível, e passou a ser produzido em lanchonetes, restaurantes, pizzarias, supermercados e até padarias. Veio então o RISCO. O que antes não era um risco passou a ser, pois o Fortalezense passou a consumir e produzir bastante esse produto e daí vieram os AGRAVOS, os surtos alimentares envolvendo o sushi.


Enfim. Por lidar com a questão do risco, o Vigilante Sanitário torna-se cri-cri. Ele tende a entrar em um ambiente já analisando todos os riscos presentes ali, qualquer coisa que potencialmente pode ser um agravo. Então ele entra em uma padaria, por exemplo, automaticamente observando o tipo de piso, revestimento das paredes, presença de insetos, cortina de ar (você sabe o que é? explico em outro post), comportamento de funcionários, adequação ao Manual de Boas Práticas de Fabricação, etc...por isso ele percebe cheiros, odores, cores, texturas que muitas vezes passam despecebidos pelos consumidores.


Mas quem tem a idéia da Vigilância Sanitária como o personagem de Lineu, que chega na pastelaria do Beiçola (foto à esquerda) ou em algum supermercado já punindo, multando, interditando, apreendendo mercadoria, procurando arduamente o produtor ilegal de vinagrete, está redondamente enganado.


Muito embora historicamente a Vigilância Sanitária tenha exercido esse papel, atualmente, os esforços têm se concentrado muito mais na Educação Sanitária. Primeiro ensina como deve ser, depois pune se não for corrigido.




Imagens: Globo.com


É uma forma mais justa de se trabalhar. Sendo assim, a proposta da Vigilância Sanitária hoje é muito mais educativa que punitiva, visando PREVENIR, e não REMEDIAR.

 


Tô de ooolho!