Noções de Vigilância Sanitária pra quem é cri-cri

Esse blog vai tratar de noções de vigilância sanitária que podem ser aplicadas à vida de qualquer pessoa, de forma a alertar sobre o risco inerente ao dia-a-dia. Vai falar de normas e leis, zoonoses (o que é isso?!), compartilhar experiências, situações absurdas, e tirar dúvidas que interessam a qualquer um que preze por sua saúde e de sua família.




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Comprei um produto estragado...e agora?

Sábado passado (15), fui com umas amigas fazer um picnic ali no Parque do Cocó. Nos reunimos em frente ao supermercado ali perto, compramos algumas coisas e descemos pra trilha. Dentre essas coisas, compramos um leite achocolatado de saco.

Qual não foi minha surpresa ao chegar no local do picnic, abrir o leite e perceber que estava estragado. E agora? Primeiro, fiquei com muita raiva, claro. Pensei em voltar lá e exigir a troca. Mas quando percebi o quanto era longe, desisti. O que fazer? Creio que todos nós passamos por situações como essa todos os dias.

Primeiro de tudo, olhei a data de validade. Na verdade, essa deve ser uma preocupação do supermercado. Ele não pode, em HIPÓTESE ALGUMA permitir que um produto vencido esteja exposto à venda. Sob pena de ter o produto apreendido e levar uma multa bem bonitinha. Se, por acaso, estiver próximo ao 'Best Before', ele deve deixar bem claro ao consumidor "ESTE PRODUTO ESTÁ PERTO DA DATA DE VENCIMENTO". Já vi supermercados fazerem isso, vendendo o produto com um certo desconto. De qualquer forma, olhei a data. Estava dentro do prazo.

Como eu estava em programação com amigas e tão cedo não iria voltar ao supermercado, não poderiamos ficar segurando a embalagem pra depois levar pra reclamar.Infelizmente, jogamos no lixo. Mas o ideal é que tivéssemos guardado a embalagem (de preferência com o produto ainda dentro dela, pra servir de prova). O consumidor tem todo direito à troca! EXIJA um produto novo e em boas condições (artigo 18 do Código de defesa do consumidor).

Qual terá sido o erro? Talvez o leite tenha chegado ao supermercado já naquelas condições, ou talvez tenha chegado em boas condições, mas pelo mau acondicionamento (por exemplo, temperatura de resfriamento inadequada) o produto tenha estragado. Como saber quem é o culpado? Eu digo: ambos! Tanto o produtor como o distribuidor têm co-responsabilidade sobre a qualidade dos produtos que expõem á venda.

" Todo distribuidor ou representante comercial deve apresentar Carta de Co-responsabilidade válida do fabricante da marca ofertada, informando que naquele ato o representa, devendo constar quanto à manutenção do preço, prazo de entrega, quantidade total ofertada e validade do medicamento a ser entregue na Instituição.(Portaria/MS nº 2.814/98, parágrafo 3º, artigo 5º - Versão Republicada em 18/11/1998). "

 
É por isso que vez por outra você vê nos supermercados representantes de empresas (Sadia, Perdigão, etc) conferindo as geladeiras e freezeres. Eles realmente levam isso à sério, pois ambos respondem em casos como esses. Por isso, é adequado anotar o NÚMERO DO LOTE DO PRODUTO e enviar uma reclamação à SAC do produtor. Ele precisa saber que algo está errado, ou outras pessoas também serão prejudicadas.

Caso ambos se recusem a tomar iniciativa, você pode acionar a Vigilância Sanitária da cidade e denunciar, pedindo uma fiscalização. Os ficais irão até o local fazer uma averiguação das condições gerais do estabelecimento, bem como coletar amostras para análises. Nesse caso, guardar o produto estragado como prova ajuda muito.


Já vi casos em que o consumidor sofreu não só o choque de encontrar objetos estranhos no alimento, como adoeceu por isso. E o direito dele é de ser indenizado pelos danos. Como consumidores, não podemos deixar passar em branco nosso direito. Infelizmente, o que vemos em geral é o completo descaso dos produtores quando vamos reclamar de algo. Enviei um email pra empresa produtora do leite que comprei, informando o fato e explicando os riscos e consequências disso. Nenhuma resposta até agora...


Um amigo meu comprou uma caixa de chocolate, e encontrou larva de mosca logo no primeiro que abriu. O que a empresa produtora fez? Prometeu enviar para seu domícílio UM chocolate igual ao que veio danificado...Palhaçada? Eu acho...Quer ler mais? Veja o caso em que o consumidor encontrou UM RATO dentro de uma polpa de tomate: http://www.dollyverdade.com/pdf/2006/diariodograndeabc_1103.pdf

E esse é só um dos casos...Por isso, DENUNCIE!



ANOTE O NÚMERO DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA DE FORTALEZA: 31015285



Tô de ooolho!




quarta-feira, 14 de setembro de 2011

DOCE MEL!

Fonte: MdeMulher

Quem nunca chupou aquele melzinho de sachê praticamente não teve infância. O mel é um produto saboroso, nutritivo e muito utilizado na alimentação infantil.

 Entretanto, precisamos ter cuidado com o que chamamos de 'mel artesanal', aquele que foi produzido em alguma fazenda/estabelecimento sem nenhuma tecnologia. Embora muitos prefiram esse tipo de mel, por acharem mais natural e mais saudável, precisamos entender os riscos relacionados à esse tipo de produção.

O mel produzido artesanalmente está relacionado com uma toxinfecção chamada BOTULISMO. Esta é causada pela Bactéria Clostridium botulinum e seus esporos (uma forma de resistência às condições adversas). Pode acometer adultos, quando estes ingerem produtos contaminados com a toxina pré-fabricada pela bactéria, ou crianças, que ingerem alimentos contaminados com os esporos dessa bactéria, que, ao chegar no trato gastrintestinal, voltam à sua forma vegetativa e produzem a toxina botulínica. Essa toxina tem como alvo o bulbo (estrutura do encéfalo, responsável pelo controle cardiorespiratório) e os músculos, impedindo sua contração e causando um tipo de paralisia chamada paralisia flácida, chamada de "Síndrome do bebê mole"(caracterizada pelo 'amolecimento' da musculatura - foto abaixo., retirada do blog Cantinho da terceira idade),
Paralisia flácida infantil

No final da década de 90, houveram muitos surtos associados ao botulismo, causando inclusive um alto índice de morte súbita, inicialmente diagnosticados como morte de berço.  A toxina compromete cordas vocais e glote, fazendo com que a criança tenha disfonia (choro miado de gato), visão distorcida e dupla (diplopia) e ptose palpebral (pálpebra caída).


O risco da produção artesanal de mel está na possibilidade de contaminação deste com poeira e solo, que podem conter os esporos do Clostridium botulinum. Não há como saber se essa produção é feita de forma correta, obedecendo aos princípios de Boas práticas de fabricação e higiene alimentar; tudo isso associado à precariedade da fiscalização desses estabelecimentos. É comum a comercialização do mel inclusive contendo ainda pedaços de favo, que, por sua vez, pode também ter tido contato com o solo. E esse mel vai pra onde? Justamente pro alimento da criança. UM PERIGO!

Produção artesanal de mel



Por isso, é extremamente importante ter cuidado com essas produções 'de fundo de quintal', pois nem sempre o alimento mais natural é mais saudável e seguro. O botulismo adulto está mais relacionado ao consumo de produtos enlatados, onde há contaminação do alimento com toxinas pré-formadas, mas isso é assunto de outro post. Fiquem de olho...porque eu...


Tô de oooolho!!!


terça-feira, 6 de setembro de 2011

CQC fala sobre veterinário na inspeção de carnes

No Programa CQC de ontem, Danillo Gentili falou sobre a "inutilidade" de um projeto de lei que exige que as carnes fornecidas nos açougues de São Paulo sejam inspecionadas por veterinários. A atuação do Médico Veterinário na fiscalização sanitária e promoção da saúde pública foi exposta com deboche e falta de respeito ao trabalho desse profissional. Inclusive fizeram uma encenação onde um suposto veterinário ausculta um corte de carne com estetoscópio.

Muita inteligência pra fazer piadas e pouco conhecimento sobre os riscos que uma carne não inspecionada traz.

O QUE TEM A VER UMA CARNE QUE EU COMO EM UM CHURRASCO COM A PROFISSÃO DO MÉDICO VETERINÁRIO?


A carne que você come em um churrasco passou por, no mínimo, dois veterinários:

- Um no início da produção, onde o veterinário zela pela sanidade do animal, como vacinação, controle de doenças, manejo reprodutivo, controle de veminoses, melhoramento genético (fazendo com que os animais produzam carne, leite, ovos de melhor qualidade e em maior quantidade) e controle de zoonoses, que são doenças que podem ser transmitidas ao homem (a lista é enorme!). Um veterinário nesse ponto faz com que o produto de origem animal seja de boa qualidade.


- Outro no final da produção, durante o abate, onde irá garantir que o abate seja feito da forma menos sofrida possível para o animal (existe um manual do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a ser seguido rigidamente); dentro dos padrões sanitários (incluindo não só o estado do animal, como também a forma de transporte deste e de seus produtos, o local de armazenamento, a forma de distribuição, etc).



O QUE FAZ UM VETERINÁRIO EM UM ABATEDOURO?


O médico veterinário irá inspecionar a qualidade do produto que irá para a mesa do consumidor, vistoriando o estado e a qualidade destes como também a presença de possíveis agentes causadores de doenças. Por isso é essencial que não se compre carne de abatedouros de fundo de quintal e que não sejam devidamente registrados e autorizados a funcionar.

O risco é grande, podendo incluir risco de morte, no caso de alguns patógenos.






PORQUE É NECESSÁRIO UM PROJETO DE LEI EXIGINDO A INSPEÇÃO DOS PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL POR UM VETERINÁRIO?


Francamente? Porque aos olhos do produtor, produzir dentro dos padrões sanitários e certificados de que são próprios para o consumo sai MUITO CARO, pois há necessidade de profissionais como médicos veterinários, engenheiros de alimento, nutricionistas, entre outros; que irão exigir rigidamente que todos os equipamentos utilizados bem como o ambiente de produção estejam isentos (ou em quantidades aceitáveis) de contaminantes.

Isso inclui gastos com reformas de piso, teto, parede, equipamentos, de modo a estarem dentro dos padrões; gastos com análises microbiológicas da água e dos produtos; e DESCARTE (creio que a palavra mais detestada pelos produtores) daqueles produtos que não estão dentro do exigido.


É por isso que há diferença no preço de uma carne comprada em qualquer lugar para outra comprada em um estabelecimeto registrado e devidamente certificado. A diferença do valor você paga com sua saúde prejudicada.


Danilo Gentili,
TÁ PAGANDO? EXIJA!


Tô de ooolho!

sábado, 20 de agosto de 2011

JUNTOS PELA QUALIDADE DO QUE COMEMOS!





Você quer saber as experiências ruins no ramo de alimentos? Quer se prevenir como consumidor na hora de ir pra restaurante "x", padaria "y"...?

Quer ser exigente e fazer jus ao dinheiro que você gasta com comida por aí?



Participe do Grupo "COMEU MORREU" no facebook, excelente iniciativa do Prof. Claudio Lima (Inspetor Saúde). Veja mais:


"BacDonald´s", são todos os restaurantes que vendem bactérias na comida por falta de higiene!!! AQUI VOCÊ DENUNCIA QUE COMEU NUM LUGAR E A COMIDA ESTAVA RUIM OU CONTAMINADA. VOCÊ PASSOU MAL.FOI MAL ATENDIDO etc. " VAMOS ACABAR COM QUEM QUER VENDER COCÔ (COLIFORMES FECAIS!!!)".

sexta-feira, 8 de julho de 2011

VETERINÁRIO NO NÚCLEO DE SAÚDE DA FAMÍLIA?

Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
Todo mundo sabe da existência do NASF (Núcleo de apoio à Saúde da Família), que atua no PSF (Programa de Saúde da Família); que visam atuar em postos de saúde de municípios, aumentando a abrangência das ações de atenção básica do SUS. Mas qual a importância desses postos de saúde? E qual a importância de haver médico veterinário nessa equipe? Saiba agora!



 
Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
 A Política Nacional de Atenção Básica foi aprovada pela Portaria N° 648/GM de 28 de março de 2006, estabelecendo diretrizes e normas para o funcionamento do Programa de Saúde da Família (PSF) e Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS). 

Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
Esse programa visa dar atenção básica de saúde às comunidades e DESCENTRALIZAR o serviço apenas do hospital. Você consegue perceber a importância disso? 




Trocando em miúdos: se cada vez que alguém quebrar um dente, torcer o pé, tiver dor de barriga ou quiser atendimento preventivo correr para um hospital (que às vezes nem tem em sua própria cidade), a conseqüência disso será hospitais super lotados por motivos menos importantes. Se a super lotação já é um problema sério de hospitais públicos, imagine nessa situação. 



Assim, os postos de saúde existem para dar essa atenção primária, além de medidas preventivas, de forma a reduzir a demanda dos hospitais e encaminhar apenas os casos que não possam ser resolvidos no posto. 

Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
O NASF funciona com uma equipe básica, multiprofissional, com no mínimo, cinco profissionais a ser definido pelos gestores municipais de acordo com a necessidade do município. As profissões que compõem o NASF vão das mais básicas e essenciais às mais especializadas: médico, enfermeiro, dentista, assistente social, fisioterapeuta, nutricionista, terapeuta ocupacional, psicólogo, educador físico, farmacêutico, fonoaudiólogo, ginecologista, acupunturista, homeopata, pediatra e psiquiatra. E agora, o Ministério da Saúde ampliará este elenco de profissões, com a possibilidade de incluir nessa equipe profissionais como o médico veterinário e o sanitarista. Nesse âmbito, além de poder exercer clínica de animais de pequeno e grande porte, poderá principalmente atuar nas áreas de Vigilância sanitária de produtos de origem animal (queijo, leite, carne, ovos, etc), fiscalização de abatedouros e no controle de zoonoses (doenças transmitidas por animais a homens).




Microsoft Word - NT 20 NASF.doc
E a importância disso? Quem por exemplo sabe de onde veio a carne que comeu ou o leite que bebeu recentemente? Será que foi aprovado pelo controle de qualidade e que é um produto que foi fiscalizado por um profissional competente? Você sabe a que tipos de processos esse produto foi submetido? Por isso, a inclusão do veterinário no NASF é uma boa notícia tanto para os profissionais da área como para a população, que vai poder usufruir desses serviços básicos e essenciais com maior qualidade. Por isso, fique atento e exija seus direitos.


To de ooolho!

 

 
 
 



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Boas práticas da alimentação - fora de casa

Há quem diga que comida de fora é sempre mais gostosa. Tem pessoas que não resistem a um churrasquinho na calçada. O sushi e aqueles mousses de supermercado, então... E quem nunca comeu pastel com caldo de cana na rodoviária ou tomou água de coco no meio da rua? Quem nunca comprou cocada, brigadeiro e cachorro quente de ambulantes? É “bom, bonito e barato”! Mas muitas vezes, o barato pode sair caro. Confira algumas dicas pra sua saúde não correr risco!



1. Preste bem atenção à data de validade de tudo o que for comprar

Pode até parecer feio chegar em um estabelecimento e agir como se não confiasse nele. Mas embora o proprietário e os funcionários sejam responsáveis por manter os produtos em bom estado, sabemos que isso nem sempre é possível. Por isso, sempre desconfie, mesmo de supermercados de grande porte. Olhe a data de validade, veja a cor, o cheiro e preste muita atenção ao sabor. Alguns alimentos estragados têm aquele cheiro que lembra amônia. E reclame! Não fique constrangido se encontrar materiais estranhos. E não caia na “é culpa do fabricante, já veio assim de fábrica”...pois o produto que está à venda naquele estabelecimento é de responsabilidade tanto do fabricante como do distribuidor (você sabia?)




Boas práticas na manipulação de alimentos. Devemos imitar o que é bom.
Fonte: http://sandranutricionista.blogspot.com/


2. Observe se o vendedor lida com dinheiro e com o alimento, e se há local para higienizar as mãos.

Se você for comprar algo da rua, provavelmente o vendedor que lidará com o dinheiro será o mesmo que irá servir o alimento. Observe se ele coloca luvas para manipular a comida, pois sabemos que o dinheiro, por ser de grande circulação carrega muitos microorganismos que podem – e irão – contaminar seu alimento. Opte por você mesmo pegar o produto; em alguns casos, opte por nem comprá-lo, pois se ele não tem higiene ao servir, como será que deve ter preparado? Naquelas carrocinhas que vendem cachorro-quente, por exemplo, evite comprar se perceber que não há lugar para higienizar as mãos.


Se não for da rua, preste bem atenção enquanto o produto estiver sendo manipulado. O funcionário está adequadamente trajado (avental, luvas, touca...)? As condições de limpeza da cozinha são boas? O estabelecimento em si é limpo? Pense comigo, se a área de circulação de clientes (que é o local que deve estar mais limpo para causar boa impressão) for suja, provavelmente a cozinha (que geralmente é restrita aos funcionários) deve ser pior ainda.



3. Evite comprar alimentos que estejam expostos

Sim, até mesmo o sushi e os pãezinhos da padaria. Sem proteção nenhuma, não dá. Você não tem como saber há quanto tempo ele está exposto, se durante esse tempo algum inseto pousou ou se alguém falou ou tossiu perto dele.



4. Nunca, eu disse NUNCA pense que ‘porque nunca deu problema, nada deve estar errado’.

Isso é péssimo! Tem gente que corre risco consciente. Sabe que o lugar é sujo e que o produto não é confiável, mas como nunca teve problema, continua comprando. Muito cuidado! Talvez você tenha adoecido por causa dele e não tenha associado, ou até seja portador de determinado microorganismo patogênico e não tenha desenvolvido os sintomas. Isso pode ter conseqüências graves pra sua saúde. É sempre melhor optar pelo que é bom. Consumidor consciente é consumidor exigente.


Tô de ooolho!


Quer saber mais? Leia nota no jornal O Estado Comida de Rua: mitos e verdades, escrita pelo prof. Cláudio Lima, Inspetor Saúde. Recomendadíssimo!


quarta-feira, 27 de abril de 2011

FALTAM FISCAIS!

Fiscalização Federal: déficit de 10 mil servidores (Fonte: Folha dirigida on line)

E não para por aí não. A defasagem é grande. Entenda o que você tem a ver com isso.

EM BREVE!

Tô de ooolho!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

OPORTUNIDADE DE ESTÁGIO EM SEGURANÇA ALIMENTAR


Estagiário(a) para Area de Segurança Alimentar (Controle de Qualidade).

PERFIL:
Cursando Eng. de alimentos, Agronomia, Veterinaria, Economia domestica ou Tecnologia de alimentos
A partir do 4o. semestre
24 h/semanais - segunda a sábado - 8 as 12h
Principais atividades: Acompanhamento dos processo de transporte e manipulação de alimentos nas lojas; orientação a funcionarios e chefias sobre boas práticas; etc.

Interessados deverão enviar curriculo para ana.saskia@grupopaodeacucar.com.br ate 07/04, com o titulo "Estagiario CQ" no campo assunto.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Jaleco: acessório de moda ou vestimenta de trabalho?

Ele pode ser gola de padre, gola em V, com elástico no punho, com botão de pressão ou de encaixar, rosa, azul, branco tradicional, com bordado nos bolsos e com vários tipos de emblemas.




A questão é: o jaleco é apenas uma vestimenta de trabalho ou se tornou acessório de moda entre estudantes e profissionais que o utilizam?

http://www.camara-arq.sp.gov.br/

Não raro vemos pessoas de jaleco desfilando por aí nos corredores das universidades, nas ruas, entrando no banheiro, no carro e até nos refeitórios. Deu grilo! Nem gosto de lembrar de uma cena que vi em uma Universidade muito famosa no interior de São Paulo: médicos residentes e internos que saiam do atendimento e iam direto pra lanchonete de jaleco, quando não de pijama cirúrgico.





http://www.radioculturafoz.com.br/
Realiza: o cara acaba de atender um paciente com diarréia aquosa causada por uma bela duma Salmonella, encosta com o jaleco no paciente e em varios objetos contaminados e depois vai comer um delicioso pão com ovo na lanchonete em frente com aquele jaleco?

Senhores, tenham dó! Por mais que você diga "mas eu não atendi ninguém tããão contaminado assim...", muitos estudos indicam que microorganismos são transportados para pessoas que estão fora do ambiente hospitalar, ambulatorial, odontológico ou laboratorial por meio de roupas, batas e jalecos, aumentando essa contaminação em áreas de contato, como mangas e bolsos. Nem preciso dizer que hospital é lugar de doença, bactéria, esporo, vírus, protozoário...por favor!



Se você trabalha em laboratório, talvez o seu jaleco seja muito mais pra proteção dos reagentes, da cultura que vc trabalhe ou dos animais que vc lida do que pra você mesmo...ainda assim, você pode estar trazendo uma contaminação pra dentro do laboratório...já pensou, perder um trabalho que demorou uma semana pra ficar pronto? No laboratório ou no hospital, o ideal é que o jaleco seja de uso exclusivo daquele local...


Ta certo que é lindo vestir jaleco...eu particularmente acho um charme! Mas não vamos fazer dele mero acessório de moda, nem envergonhar a classe por preguiça de tirá-lo...

Isso é tão sério que existe um projeto de lei querendo PROIBIR o uso de qualquer EPI (Equipamento de Proteção Individual, que inclui jalecos e outras vestimentas especiais) fora do ambiente onde o trabalhador da área da saúde atue (quer saber mais? Projeto de Lei 6626/09). Essa proposta tem o objetivo de combater a infecção hospitalar e a contaminação biológica, e é de autoria do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE). O infrator da norma poderá ser punido com advertência e multa, sendo o empregador responsabilizado também.


Além disso, a OMS (Organização Mundial da Saúde) traçou regras bastante claras sobre o controle da infecção hospitalar.


Na Inglaterra, a Associação Médica Britânica recomenda restringir o uso de adornos, gravatas, relógios, com ênfase especial na circulação com jalecos. Depois da lavagem das mãos, amplamente aceita por toda a população durante a pandemia da gripe A (H1N1), as atenções podem se voltar para a indumentária dos trabalhadores da saúde como possíveis carreadores de microrganismos. Deve haver inclusive a preocupação de limpar regularmente os crachás de identificação. Porquê não imitar o que é bom?


No Brasil, no âmbito do Ministério da Saúde, temos a Norma Regulamentadora NR-32, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que trata do uso de EPI’s, nos quais o jaleco se inclui. Recomenda que os trabalhadores não deixem “o local de trabalho com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e vestimentas utilizadas em suas atividades laborais”.


Por isso, Senhoras e Senhores, penduremos os jalecos!



Tô de ooolho!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Deu grilo? DENUNCIE! Vigilância Sanitária de cara nova!

Devido ao concurso realizado em 2009, a prefeitura de Fortaleza contratou 50 profissionais das mais variadas áreas (médicos, veterinários, dentistas, farmacêuticos, químicos, nutricionistas, engenheiros de alimentos e enfermeiros) para atuar na Vigilância Sanitária.

Com o aumento no quantitativo, aliado à grande capacidade técnica e ao conhecimento adquirido pelos novos funcionários, a Vigilância Sanitária de Fortaleza promete dar uma reviravolta no quadro atual.

Nada melhor do que gente capacitada e empenhada a fazer um serviço digno ao cidadão.

Nós também podemos ajudar! Qualquer denúncia relativa a comércio irregular de alimentos, medicamentos e serviços inerentes à Vigilância Sanitária, não tenha medo! DENUNCIE no 150. A ligação é gratuita e você estará defendendo a sua saúde e de sua família.

Tô de ooolho!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Escreveu, não leu...




Fonte: Globo.com

Quem assiste ao programa global A Grande Família sabe que o Lineu (Marco Nanini), que é veterinário, exerce a Vigilância Sanitária. Entretanto, a Vigilância Sanitária propõe muito mais do que passa a imagem do personagem estereotipado ranzinza e cri-cri.


l      Lei nº 8.080/90
            Art. 6º

 § 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde(...)


Pois bem. A Vigilância Sanitária é multidisciplinar, ou seja, pode e deve ser exercida por uma equipe de profissionais diversos, nos seus diversos setores, como odontólogos, médicos, médicos veterinários, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas, engenheiros de alimento, entre outros.

O Vigilante Sanitário sempre vai estar ligado à idéia do RISCO. É o básico que qualquer pessoa que deseja trabalhar na área precisa entender.  O risco está ligado justamente à prevenção de agravos à saúde. O risco constitui-se algo inerente à própria sociedade, variando de acordo com seus hábitos de vida, seus costumes e com suas próprias concepções. É portanto, um conceito que não está definido, ele varia de acordo com o contexto.


Um exemplo simples disso: o consumo do sushi, antigamente aqui em Fortaleza ninguém nem ouvia falar em sushi. De 5 anos pra cá (ou mais?) o sushi ganhou uma popularidade incrível, e passou a ser produzido em lanchonetes, restaurantes, pizzarias, supermercados e até padarias. Veio então o RISCO. O que antes não era um risco passou a ser, pois o Fortalezense passou a consumir e produzir bastante esse produto e daí vieram os AGRAVOS, os surtos alimentares envolvendo o sushi.


Enfim. Por lidar com a questão do risco, o Vigilante Sanitário torna-se cri-cri. Ele tende a entrar em um ambiente já analisando todos os riscos presentes ali, qualquer coisa que potencialmente pode ser um agravo. Então ele entra em uma padaria, por exemplo, automaticamente observando o tipo de piso, revestimento das paredes, presença de insetos, cortina de ar (você sabe o que é? explico em outro post), comportamento de funcionários, adequação ao Manual de Boas Práticas de Fabricação, etc...por isso ele percebe cheiros, odores, cores, texturas que muitas vezes passam despecebidos pelos consumidores.


Mas quem tem a idéia da Vigilância Sanitária como o personagem de Lineu, que chega na pastelaria do Beiçola (foto à esquerda) ou em algum supermercado já punindo, multando, interditando, apreendendo mercadoria, procurando arduamente o produtor ilegal de vinagrete, está redondamente enganado.


Muito embora historicamente a Vigilância Sanitária tenha exercido esse papel, atualmente, os esforços têm se concentrado muito mais na Educação Sanitária. Primeiro ensina como deve ser, depois pune se não for corrigido.




Imagens: Globo.com


É uma forma mais justa de se trabalhar. Sendo assim, a proposta da Vigilância Sanitária hoje é muito mais educativa que punitiva, visando PREVENIR, e não REMEDIAR.

 


Tô de ooolho!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Chuva, traga o meu 'denguinho'....

Chove 19,3 milímetros em Fortaleza
A previsão do tempo para toda esta terça-feira, 15, na Capital, segundo a Funceme, é de céu nublado com chuva.

Chuva é bom demais, dormir com chuva melhor ainda. Mas o transtorno que o excesso de chuva causa é bom de menos. Pior ainda: o tanto de doença que ela possibilita! Com as chuvas, a proliferação de mosquitos e a tranmissão de doenças como viroses respiratórias, grastroenterites virais, leptospirose.

E e ainda tem aquela que vem com força total: a dengue!

A dengue é causada por um vírus (um arbovírus do gênero flavivírus) e transmitida pela fêmea infectada do mosquito Aedes Aegypti (lê-se E-des E-gipti, e não A-edes A-egipti). São conhecidos 4 sorotipos desse vírus (1, 2, 3, 4). O ciclo de transmissão ocorre basicamente quando a fêmea faz um repasto de sangue infectado (ou seja, ela pica alguém que está com o vírus); daí esse vírus, se multiplica e se instala nas glândulas salivares da fêmea. Depois de mais ou menos uma semana, a fêmea está prontinha para ser uma transmissora da doença. Quando ela pica outra pessoa, há um período de incubação de 5 dias, que é quando o vírus se instala nas células-alvo e se multiplica, e logo no 6º dia aparece a febre.

A susceptibilidade a essa doença é universal, ou seja, não tem preferência por raça, status, condição social...não é uma “doença de pobre” como antes era conhecida. Aliás, vou falar um pouco depois porque que nas últimas estatísticas a dengue tem se concentrado em áreas nobres daqui de Fortaleza (você tem idéia do motivo?).

VERDADE OU MITO: Se eu pegar dengue da segunda vez é pior porque é hemorrágica?

Mito. Não é bem assim. Acontece que a imunidade específica é permanente, enquanto que a cruzada é temporária. Deixe-me explicar melhor. Se, por exemplo, você adquirir o sorotipo 1 da dengue, ficará permanentemente imune a esse sorotipo e temporariamente imune aos demais. Então, se da próxima vez que você for picado adquirir novamente esse sorotipo, não desenvolverá a doença; mas se for outro sorotipo poderá desenvolver. Deu pra entender? É nesse contexto que o risco pra evoluir pra um quadro hemorrágico aumenta. Aliás, também existe a possibilidade de a dengue ser assintomática, ou seja, não apresentar nenhum sintoma. Talvez você já tenha tido dengue sem saber (Acredita?).


A doença

Os principais sintomas são febre, dor de cabeça, dor nas articulações (“dor nas juntas”), falta de apetite, fraqueza, manchas pelo corpo. E atenção! Noticia de ultima hora: um estudo preliminar mostra que têm aprecido novos sintomas, como problemas respiratórios, irritabilidade, indisposição e coma. (Fonte: Jornal o Povo 15/02/11)


Porque não pode usar aspirina?

Porque a aspirina, apesar de ter efeito analgésico e antitérmico, também age na coagulação do sangue. No sangue, existem células denominadas plaquetas, que, em uma situação de sangramente, rapidamente se acumulam e formam uma ‘placa’ pra estancar o sangue. A aspirina diminui essa tendência de as plaquetas se unirem, e como a dengue, não raro, vem acompanhada de hemorragia, o quadro pode se complicar. O pior é nossa tendência à auto-medicação, como a dengue começa como se fosse uma simples gripe existe um risco grande de tomar aspirina sem saber se é dengue ou não.

O Mosquito

Ele é caracterizado macroscopicamente pela presença de listras em suas patas, dorso e abdome, e possui duas fases de vida, uma aquática e outra terrestre. Na fase aquática, que é onde se concentram as ações de prevenção, ocorre ovo, larva e pupa (veja as fotos).

Ovo, larva, pupa e adulto. (SESA-CE)
A fase terrestre, que é a fase adulta, é a de mais dificil controle; por ser uma fase alada, as ações são apenas corretivas. Como todos sabem, a fêmea deposita seus ovos em qualquer acúmulo de água limpa; entretanto, na ausência de água limpa, eles podem se adaptar normalmente. A responsabilidade em combater a dengue não é só do governo,  através de agentes de endemias fazendo visitas às residências ou enviando os carros de  fumacê.

A responsabilidade é muito mais nossa, em eliminar qualquer (eu disse QUALQUER) possível depósito para água das chuvas ou qualquer fonte de água parada. Um jarro na sua janela é um possível recipiente para agua das chuvas, um vaso sanitário aberto de um banheiro desativado (você sabia?) é um recipiente de agua parada, garrafa de refrigerante com a boca pra cima, piscina, pneus, poço descoberto, plantas/árvores que acumulam água em suas folhas, até um balde pra coletar água de goteira ou ar-condicionado...todos são possíveis abrigos para os ovos do mosquito.


Acúmulo de lixo, pneus, balde para coleta de água, aparelho sanitário; possiveis depósitos de ovos e larvas.
(SESA-CE)


As ações para corigir isso são tão fáceis e já tão batidas que nem vale a pena citar aqui, mas infelizmente muitos continuam achando que é uma “doença de pobre” e que não corre o risco de contrair. Os maiores índices de dengue em Fortaleza são em bairros nobres, justamente porque as pessoas se recusam a receber o agente de endemias em casa. E aí confiam no fumacê, que tem eficácia bastante questionável.

Carro de fumacê. (SESA-CE)

O fumacê só serve naquela hora, no exato momento em que é liberado, matando os mosquitos adultos presentes naquele local. Mas ele não tem poder de fixação, não fica nos muros da casa, então é muito incerto que naquele momento vá conseguir abranger todos os mosquitos presentes naquele local, você não acha?

Como diriam nossos avós: 'é melhor prevenir do que remediar', e isso também se aplica à dengue e a qualquer outra doença. É muito mais eficaz eliminar as larvas e ovos do mosquito do que ficar correndo atras do mosquito voador, ainda que seja com aquelas super-ultra-inovadoras raquetes pra matar os infelizes alados eletrocutados.



Por fim, fica o estimulo ao combate à dengue. A responsabilidade é minha e sua também! Tô de ooolho!

 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Pombo da paz?!

“Naquele momento, o céu se abriu e eis que o Espírito Santo desceu como pomba e pousou sobre ele. Então, uma voz dos céus disse: Esse é meu Filho amado, de quem me agrado” Mt 3:16-17


Dentre várias coisas que não entendo, uma delas é essa..porque um pombo? Porque Deus escolheria um pombo num momento tão divino? Não podia ser uma rolinha, um canário, uma águia, ou um papagaio? Talvez Ele tenha escolhido um pombo pra fazer analogia de como Deus, sendo tão puro, pode usar uma criatura impura, suja, e vetor mecânico de tantas doenças!

Você deve estar pensando: “pega leve, pombos são bonitinhos, são símbolo da paz e bla-bla-bla...”...mas essa eu não engulo! Como veterinária sempre passei por esse conflito, pra surpresa das pessoas que acha que se você é veterinário, tem que entender, amar, beijar e abraçar todos os animais. O meu primeiro estágio foi num laboratório de ornitopatologia (estudos das doenças em aves). Foi um tempo excelente, mas saí de lá quando estavam prestes a iniciar um projeto de pesquisa com pombos. Me livrei!

Deixando de lado os ascos pessoais e tentando ser o mais impessoal possível, vamos entender um pouco mais sobre pombos...

Os pombos são monogâmicos. Normalmente a fêmea coloca 2 ovos que demoram uns 18 dias para chocar, fazendo 2 a 3 oviposições ao ano. O filhote é alimentado com uma secreção do papo que tem a composição muito parecida com o leite, por isso é chamado "leite de pombo" (Você já tinha ouvido falar?).

Os pombos são aves migratórias, o que significa que eles andam sempre em bando e que cumprem uma rota de viagem (rota migratória), de acordo com a estação do ano. Em si, não são vilões, entretanto, devido à facilidade de encontrar alimento e abrigo nos centros urbanos, eles têm se adaptado cada vez mais, e é aí que está o problema. A alimentação disponível pra eles não é nem um pouco saudável. Se você for reparar, o bando fica sempre onde há lixo, resto de comida e acúmulo de água. Daí já se tira que eles não são tão purinhos quanto se pinta. E como tem muita comida disponível, eles se proliferam mais ainda! Entenda: o problema não é O POMBO. O problema é a GRANDE QUANTIDADE de pombos. Com essa grande quantidade convivendo de perto com o ser humano, com alimentação inadequada, a resposta é proliferação de doenças.




Os pombos transmitem doenças que são causadas tanto por fungos existentes em suas fezes secas quanto por bactérias que se transmitem ao contaminar alimentos e água. Essas doenças podem inclusive levar à morte, em alguns casos de forma bem silenciosa. Quando estão em liberdade, eles permanecem próximo às habitações humanas, causando uma porção de problemas. As suas fezes ácidas, além de sujar, podem danificar a pintura de veículos e o patrimônio histórico, e isso é só o inicio.





Pombos em restaurante frequentado por alunos da Universidade e pacientes do Hospital Universitário

O acúmulo de penas, fezes secas e restos de ninhos causa entupimentos e apodrecimento de madeira. Pior que isso, em armazéns e feiras (que é onde mais se vê esses animais), eles podem contaminar os alimentos com suas fezes e com as bactérias que transportam em seus pés (afinal, eles estão em todos os lugares). Além disso, onde há pombo, sempre há ratos, baratas e moscas, já percebeu? A lista de doenças é imensa: criptococose, histoplasmose, ornitose, salmonelose, toxoplasmose, encefalite, dermatite, alergias respiratórias, Newcastle, aspergilose e tuberculose aviária.

Dessa forma, são considerados praga urbana, sendo seu controle um problema de saúde pública. Entretanto, embora não sejam nativos do Brasil, são considerados integrantes da fauna silvestre brasileira, sendo amparados por nossa legislação. E o que isso quer dizer? Que seu controle deve ser feito por pessoas capacitadas e autorizadas, após emissão de documento declarando nocividade, por órgão da Saúde, Meio Ambiente ou Agricultura.

Esse “detalhe” configura crime ambiental qualquer tentativa de eliminação direta de pombos por pessoas comuns como eu e você. 

 
Você pode ler mais sobre essas leis em
Lei de crimes ambientais (9.605 de fevereiro de 1998)

Lei da Fauna (5.197 de janeiro de 1967)


E aí você me pergunta: a janela do meu apartamento vive cheia de pombos! Eles defecam, deixando um cheiro desagradável que me mata de vergonha das visitas e minha casa vive cheia de penas.
O que eu posso fazer pra expulsa-los dali sem cometer um crime ambiental?



Pombos no prédio do Centro de Ciências da Saúde da UFC


  1. Não alimente os pombos. A grande oferta de alimentos faz com que eles aumentem sua capacidade reprodutiva.
  2. Tente inclinar a superfície ou usar estruturas que desestabilizem o pouso (fios de nylon esticados podem servir). Pombos em geral odeiam superfícies inclinadas.
  3. Use espantalhos
  4. Vede abrigos e vãos, elimine possíveis locais pra ninho.

O que você NÃO PODE FAZER

1. Usar arma de fogo
2. Usar veneno
3. Capturar e soltar em outro local

Não havendo jeito, chame uma empresa especializada, que com certeza vai saber o que fazer.


Quer ler mais?

 Nunes, 2003. Pombos urbanos: o desafio de controle. Biológico, São Paulo, v.65, n.1/2, p.89-92.










terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pombo da paz, será mesmo?

Você acha a coisa mais linda aqueles pombos reunidos na praça? Acha mais lindo ainda como eles são carismáticos e comem na mão das pessoas? Mas quem nunca ouviu a expressão "ratos de asas"?

Pombos...Vilões ou mocinhos?

Na semana que vem, aguardem!

domingo, 23 de janeiro de 2011

VETERINÁRIA, sim Senhor!

Me formei em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Ceará, em 2010. Fazer veterinária sempre foi meu sonho, desde a infância. Na época da crise natural de todo vestibulando, ainda cheguei a pensar em fazer medicina (pra orgulho da família), psicologia, direito e até arquitetura. Mas a paixão pela veterinária falou mais alto: passei por cima dos sonhos projetados em mim, das opiniões contrárias e até da ameaça de "vai passar fome".  Enquanto estudava, ouvia no rádio "fique firme na fé, Deus te fará invencível, com Ele é sempre assim!", música que tocava repetidamente, todos os dias, antes de eu sair pra aula. Isso me deu uma força enorme! Fiz vestibular e passei.


No começo achei que fosse trilhar carreira como clínica de pequenos animais, e já tinha até a planta da "Clínica Veterinária Matando Cachorro a Grito!". Até hoje não entendo por quê todas as pessoas pras quais contei minha idéia achavam que era brincadeira... Lá pro meio do curso, fiquei um pouco desestimulada, e a época coincidiu com o falecimento do meu pai, que era a pessoa que botava fé em qualquer idéia de jerico (você sabe o que é?) que surgisse na minha cabeça.

Desencantada com a área clínica, sem perspectiva de emprego, descobri a área de saúde pública, até então tida como "carta fora do baralho" nas minhas opções. Foi paixão ao primeiro estágio. Diante das inúmeras ramificações dessa área e da relevância que ela tem pra sociedade (você sabe qual é?-Tema de um futuro post), me rendi! E aí vieram estágios em zoonoses, doenças parasitárias, e eu cada vez menos entendia por que essa área é tão pouco explorada pelos alunos de veterinária em geral.

Da Saúde Pública pra Vigilância foi um pulo: aqui em casa sempre fui tida como "cri-cri", a que sempre soprava o canudo antes de colocar no copo, que cheirava a comida pra então autorizar todo mundo a comer e olhava a validade de tudo o que fossem comprar. Nunca vi nesses hábitos problema algum. E quer saber? Sou cri-cri SIM! Com muito gosto!



Dedico esse blog a todos os cri-cris de plantão, estudantes, veterinários, crianças, homens e mulheres que jamais tomariam refrigerante de latinha sem dar aquela limpadinha básica na tampa. Os maiores riscos estão bem debaixo dos nossos narizes!